Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Lista de Angustias
- lista de angustias.
Pensei em fazer uma lista dos problemas (reais ou inventados) que me tormentam.
Comecei a lista mentalmente e cheguei a duas conlusoes:
1 - Eh impossivel fazer tal lista...eh infinita;
2 - Incrivel a forma como auto-construimos nossas angustias!
Outra dia li a seguinte frase, a proposito da Mecanica Quantica:
"A primeira vista parece dificil, quase impossivel de entender, sem nehum sentido. Ateh que voce entende do que se trata e nao compreende mais como podia nao entender o principio antes".
Posso adapta-la pras angustias:
"Parece angustiante, extremamente insoluvel. Ateh que aparece outra angustia que te faz esquecer da anterior e nao mais entender como podia se preocupar com algo tao pequeno."
Ai, o poder do cerebro...
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Voz particular
- "Nao, sou brasileira."
- "Voce tem uma voz bem particular".
Foi o que me disse um dos muitos fisicos ao meu redor, depois de 7 horas de plantao noturno.
Delirios matinais?
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
A consciencia da mediocridade
Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008
Mixed Feelings
Olga me explica que meus sentimentos foram um dia estudados. “São situações em que a felicidade vem inevitavelmente acompanhada da angústia.”
Me reconforto. Outros já sentiram isso antes.
É um calorzinho no coração tão bom, um tipo de felicidade que pela primeira vez conheço, segurança, paz, aconchego, vontade de ficar junto e nunca mais desgrudar.
E a saudade, agora não tem mais jeito. Onde quer que eu esteja, vai ter sempre a saudade, mesclada em uma melancolia que se estende ao infinito.
E a busca pela harmonia, e o conforto novamente.
Não dá pra ser completamente feliz, é a busca pelo que falta, que se transforma a cada conquista, que faz viver.
Sou de novo criança com saudade de casa.
Segunda-feira, 7 de Julho de 2008
Angústia
outro dia estava conversando despretensiosamente quando pensei sobre a angústia que sinto às vezes. A inexplicável que não anuncia a chegada e muito menos a partida.
Percebi a diferença.
Sempre teorizei que o envelhecimento estava inegavelmente ligado à percepção temporal. Ao tempo passar mais rápido, à festa acabar antes e à data importante não demorar mais tanto pra chegar. Sempre achei esse o ponto fundamental da idade.
Encontrei outro. A angústia.
Na adolescência quase que buscava por ela, sentimento imprescindível para compreender o envenenamento de Madame Bovary, viver o processo e a transformação de Kafka, apoiar a transgressão de Lolita, ou chorar com letras dos Smiths, estar realmente e sinceramente disposta a sofrer acreditando que ninguém nunca vai lhe amar. É o que traz a sensibilidade para experimentar a intensidade perceptiva.
Mas agora a angústia vem sem querer, sem precisar, sem pedir, sem chamar. Como o tempo.
Quinta-feira, 26 de Junho de 2008
Como pegar ônibus
“De preferência, tente avistar o seu ônibus assim que ele despontar na rua. O quão mais imprescindível é essa etapa quanto o tempo de espera pelo dito cujo.
Assim que percebê-lo, não importa o quão longe ele esteja, comece a agitar os braços de forma frenética, com bastante amplidão (isso é importante pois mostra a sua disposição em subir naquele ônibus específico).
Tente discernir se o motorista se dispôs a jogar o carro para pista da direita (os mais educados ligam a seta para indicar tal fato) ou se o ônibus vai passar por fora (termo comumente utilizado entre os passageiros de ônibus para designar o fato do ônibus passar pelo ponto na pista do meio e possivelmente não parar).
Caso a primeira alternativa acima seja verdadeira, continue com o abano grande dos braços até o ônibus estar parado no ponto.
Se for o caso da verdadeira ser a segunda hipótese, o processo é levemente mais complicado e envolve alguns riscos, como por exemplo, o de sofrer algum tipo de acidente automobilístico como o de ser atropelado por um carro ou moto. Primeiro, decida se você como cidadão está disposto a correr tais riscos.
Caso negativo, contente-se em esperar o próximo ônibus e torça para esse se dispor a parar no seu ponto (vale a pena também perguntar a alguém que se encontra no ponto se esse é de fato o ponto certo) ou disponha-se a fazer um caminho diferente do que havia inicialmente planejado.
Caso tenha decidido correr os riscos necessários, comece imediatamente a balançar ainda mais veementemente os braços (sempre mantendo a amplidão) e estabeleça o mais rápido possível o contato visual com o motorista do ônibus (pode também soltar algumas palavrinhas ao mesmo tempo em que mantém o contato visual, como “motorista! Eu estou aqui! Quero subir no ônibus! Pára, por favor!”), aviste quais são os obstáculos entre você e o ônibus, geralmente são as irritantes vans que não se importam e param em qualquer lugar. Nesse caso, não se acanhe e faça sinal para a van sair da frente! Vans em vão! Nesse momento, um fator importantíssimo é a percepção de que o motorista do ônibus diminuiu de velocidade. Isso é essencial pois mostra um mínimo de vontade de deixar o passageiro (você) subir no ônibus. Caso negativo, desista, é um caso perdido e volte ao parágrafo anterior.
Caso o obstáculo não saia da frente, faça sinal para o tal se manter em seu lugar e jogue-se em direção ao ônibus (não se esqueça de manter o contato visual com o motorista do ônibus durante todo o procedimento). Nesse momento, se o motorista parou, não esqueça de dar-lhe um sonoro “obrigada!” como gratificação, ao subir as escadas do ônibus. É sempre bom tratar bem os motoristas para que esses continuem parando no ponto.
No caso em que mesmo seguindo todos os passos sobre como chamar ônibus, não tenha obtido sucesso, pode xingar! Não se acanhe! Solte um generoso “Puta que pariu!” para liberar a adrenalina. Se preferir, é também aconselhado dar uns pulinhos ao mesmo tempo em que efetua o xingamento. Ajuda a liberar a raiva.”
Pois é, pelo visto eu não sou a única a pensar em técnicas de como pegar ônibus no Rio de Janeiro.
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
Olhos nos Olhos
Mas não, não se aflija, não vou cair na conversa sobre o quão lindo, sensível e compreendedor das mulheres é o Chico Buarque. Sobre isso pouco me importo. Já caí nesse chavão uma vez e agora me canso dele.
Fiquei pensando sobre uma conversa que tive há muito tempo atrás. Gustavo tinha um violão numa festa em casa de Sara e se pôs a tocar a tal música, cedendo aos meus pedidos (feito quase raro, não é sempre que Gustavo se propõe a tocar uma música escolhida por outra pessoa).
Na época cantávamos juntos em uma banda “cover” de Chico Buarque. Era divertido.
Mas enfim, na tal festa, ao terminar de cantar a música, pusemo-nos a debater sobre o significado de sua letra. Quem estaria sendo retratado pela letra da música, quem seria o verdadeiro interlocutor e o que exatamente estaria tentando dizer com frases tão fortes?
Seria uma mulher refeita de fato? Lembro que defendi essa opinião, achando que a letra retratava a vingança da mulher largada e amargurada, porque afinal de contas, “os homens sempre querem voltar e quando isso acontece a mulher já está pronta para dizer um gostoso não”. Pensava que a música era sobre esse deleite feminino e defendi ardorosamente esse ponto de vista, apoiada na frase chave da música, “Quando talvez precisar de mim/Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim”. Bobinha eu. Não percebi que esse argumento perde força com várias outras frases da música, como “Quando você me quiser rever/Já vai me encontrar refeita, pode crer”. Ninguém que está refeito de fato vai sair gritando aos quatro ventos, porque quem está recuperado de fato não precisa mais disso. Percebi que a música toda ainda tem muita paixão, muitos sentimentos, que certamente não são de uma pessoa que superou totalmente a perda de um amor. Aliás, será possível superar totalmente tal perda? Talvez uma vez que você deu parte de seu coração a alguém, essa parte nunca mais possa ser recuperada. É da outra pessoa pra sempre.
Surgiu o argumento de que talvez a pessoa que estava dizendo as palavras da música fosse uma mulher recalcada, que quer se mostrar muito bem mas que no fundo ainda está muito magoada e por essa razão quer magoar seu antigo amante. Achei esse um bom argumento, que fazia mais sentido que o primeiro e dessa vez o argumentador se reforçava com várias frases da canção. “Quero ver como suporta me ver tão feliz” poderia ser traduzida em “estou me passando por muito feliz só pra poder te machucar” e “quantos homens me amaram bem mais e melhor que você” teria como sua equivalente “não amei mais ninguém desde que você partiu, mas vou fingir o contrário”.
Afinal, uma mulher totalmente refeita foi uma mulher que teve que aprender a lidar com a morte de uma pessoa viva, uma mulher que teve que aprender a viver sem aquela pessoa da qual precisava para respirar, para ser mulher. Uma mulher totalmente refeita teve que se reinventar e redescobrir o que é viver. E quando uma mulher passou por tudo isso, ao reencontrar aquele amor perdido, será como reencontrar uma parte do seu corpo que lhe foi amputada e que agora lhe é inútil pois ela já aprendeu a viver sem. Pra uma mulher, ao reencontrar um amor perdido, talvez haja o esboço de um carinho, talvez até uma ponta de tristeza, por ter percebido que aquele amor não era tão imprescindível assim. Pra uma mulher refeita de fato, as palavras dessa canção não fazem sentido pois não parecem vir de uma mulher refeita de fato.
Foi então que Saulo lançou um argumento sobre o qual eu nunca havia sequer jamais imaginado possível e refutei logo de cara. Ele jogou “e se essas palavras tivessem sendo ditas por um homem?”. Não, não pode ser! Foi o meu primeiro impulso, a letra é tão feminina. E durante toda aquela noite continuei negando tal possibilidade.
Mas vocês sabem, toda dura verdade demora até ser admitida e tive que ficar pensando sobre esse argumento durante muito tempo até me convencer de que não há melhor explicação. É claro! Na verdade, as palavras não são o que o homem diz, mas o que o homem escuta da mulher. Veja bem, o que o homem escuta, não o que a mulher disse de fato. Mas talvez tenha sido dessa forma que as palavras ditas pela mulher chegaram ao ouvido do homem. Talvez essa tenha sido sua interpretação, ao ouvir a mulher refeita de fato. E se pensarmos bem, nada mais masculino do que “tantos homens me amaram bem mais e melhor que você”. Não consigo imaginar uma mulher refeita de fato dizendo essas palavras, simplesmente porque não há necessidade. Mas consigo imaginar o homem ouvindo essas palavras, pois esse é um assunto que vai direto em seu orgulho masculino.
Enfim, não quero entrar no clichê homem versus mulher, mas é verdade que os homens têm características em comum. É como um amigo me disse uma vez: “Há um modelo de beleza feminina que todos os homens idealizam, já a mulher não tem um padrão de beleza masculina”. Frase essa que também refutei no começo mas à qual tive que me render depois de muitas observações confirmando-a. Infelizmente. Há certos estereótipos que têm razão de ser.
Mais do que isso não sei. Só sei que achei Saulo genial por sua sacada e me dei conta de que talvez o Chico Buarque não seja um entedor da alma feminina como dizem muitos. Mas é um ótimo compositor.